sábado, fevereiro 10, 2007

Brel


Há dias em que acordo com um país, uma pessoa, um cheiro, um sabor ou uma paisagem dentro de mim. Hoje acordei com a Bélgica.

Toda a manhã foi como se estivesse lá. Manhãs belgas, cinzentas, de chuva miudinha, frescas e tónicas. O cheiro a erva molhada no jardim de Braine-le-Comte, a cinza metalizada das chaminés de Feluy, ao longe, mas não assim tão longe que não receemos um pouco respirar aquele ar. Mas desmentem os nossos receios os mirtilos azuis do jardim, as groselhas na árvore e as endívias pálidas, alinhadas com cebolinho, alho francês e alfaces.
Esta tarde quero ir à mort subite, beber cerveja e mordiscar cebolas em vinagre, subir e descer a Avenue Louise, chegar a casa e ouvir Mme. Ma , a vizinha, a tocar piano.
Estou a ouvir Brel, teve que ser. Vieillir. Envelhecer é isto? Começamos a dividir o tempo entre acção e recordações? Mourrir, celà n'est rien! mourrir est insignifiant, mais vieillir...
Ah Marieke, Marieke sous le ciel flamand, Je t'aimais tant, entre les tours de Bruges et Gand ah Marieke, Marieke revienne le Temps, revienne le Temps.
i
6 de Julho de 2005

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