domingo, janeiro 14, 2007

Mulheres de Serpa

Ceifar manualmente, como se fazia outrora, era duro.
Desde a aurora até ao pôr-do-sol, sob a canícula do Verão do Baixo Alentejo, as mulheres e os homens ceifavam, avançando ao longo de hectares e mais hectares cultivados de trigo
O trigo maduro picava-lhes as mãos; espetavamm-se farpas que magoavam e infectavamm. E no meio das espigas escondiam-se as "víboras negras".
As mulheres trabalhavam ao lado dos homens embora ganhassem apenas metade.
Muitas começavam com doze, treze anos, acompanhando os pais de monte em monte, para onde houvesse trabalho. E era com essa idade que se juntavam a homens geralmente dez, quinze anos mais velhos.
À noite dormiam todos juntos em celeiros, sobre a palha, e comiam a ração que o capataz lhes fornecia: vinho e pão com manteiga de cor que mais não era que banha de porco, frita no pingo da carne.
As ceifeiras aos quinze, dezasseis anos já tinham filhos e aos vinte já estavam fartas de levar tareias dos homens com quem viviam.Finalmente quando eles morriam e os filhos se arrumavam, podiam respirar e ser felizes, sorrir ao mundo, sentadas à soleira da porta.

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18 de julho 2006

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