quarta-feira, julho 18, 2007

Páginas III

(...)Arles!A Terra grande dos pintores.Para Van Gogh esta terra é sem adjectivos, mas cheia de ciprestes.Arles tem o poder de êxtase dado por uma tela de amarelos, a terra investe como um Miura à passagem da capaou ao poder do pincel-,país grande esta parte da França, país de luz e de extensão em paralelo dado pela montanha.Tudo é trigo em fortaleza de amarelos numa luz estranha louca infernal sem eu poder entender avantesmas daltónicas.Possuo-me de telas a olhar para isto tudo e aceito a influência infernal da luz no espírito fraco do pintor holandês-aceito mesmo o momento de fraqueza que o leva a querer matar Gauguin e numa encruzilhada da estrada lá está escrito o nome: St. Rémy.Foi aí, no hospital, que o maior bebedor de matizes se loucou daquela paisagem.Aceito mesmo que ele tivesse cortado de propósito a própria orelha pois era a única resposta física ao apelo brutal da natureza.Ciprestes milhares de ciprestes em rectângulos imperfeitos, ciprestes à berma da estrada acompanhando hirtos a passagem da nossa busca.Amarelos e ciprestes, ciprestes mais ciprestes numa loucura só repartida por amarelos, não há mais nada, a não ser uma carripana ou um comboio a passar no descampado.(...)


Ruben A.

2 Comments:

Blogger Daniel Aladiah said...

E por aqui vou passando... tens tanto para dar e sempre escolhes o que os outros escrevem...
Um beijo
Daniel

20 julho, 2007  
Blogger joão marinheiro said...

Ruben A. O homem de Carreço...
Abraço daqui junto ao farol...

10 agosto, 2007  

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