quarta-feira, julho 11, 2007

Heróstrato e a busca da imortalidade

(...) Em qualquer sociedade,e em qualquer época, há três sociedades e três épocas. Há, em primeiro lugar,e subjacente a tudo, a humanidade e esse tempo indefinido da sua duração a que a nossa linguagem contingente chama eternidade. «O Homem tem a eternidade» diz Browning, embora seja possível que ele tenha querido dizer algo diferente. Há, depois, e acima dela, a civilização a que essa sociedade e essa época pertencem. Há, por fim, as pequenas coisas específicas do aqui e agora.
Estes três níveis podem ter uma estrutura semelhante ou diferente.
Na Grécia antiga, eram praticamente contínuos. A Grécia e a civilização eram coextensivas, ou consubstanciais. A Grécia antiga e a sua civilização, sendo o início da sociabilidade crítica, ou seja, da própria civilização, eram idênticas à substância da humanidade civilizada. Assim, quando um poeta escrevia como um grego, escrevia como um homem. Este Paraíso não foi recuperado. Os arcanjos expulsaram dele o Homem e guardam eternamente as suas portas inúteis.
Um poeta grego, para ser célebre, tinha de adaptar-se a um ambiente. Nós temos três ambientes à escolha.para nos adaptarmos a todos eles, cada um de nós tem de ser uma trindade, o que é demais até para a loucura.(...)
Fernando Pessoa

2 Comments:

Blogger luí said...

comprei este livro hace casi um ano, passeando contigo na noite preciosa de lisboa, lembras-te?

tu me aconsejaste sobre ele
me costó al principio porque nao conocia tanto de português mas agora que sei un poco mas, este livro está en mi mesita de noche

tenias razon , es muy bueno
obrigada

beijos

15 julho, 2007  
Blogger I said...

Claro que me lembro, Luí, compraste-o na "ler devagar" no Bairro Alto.Ainda bem que gostas dele.Beijinho

17 julho, 2007  

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