quinta-feira, outubro 13, 2005

Gulliver

Sobre o teu corpo as nuvens passam
Lá no alto , altas e geladas
E espalmadas, como se

Flutuassem sobre um vidro que fosse invisível.
Ao contrário dos cisnes,
nada reflectem;

Ao contrário de ti, sem
fitas que as prendam.
Tudo sereno, tudo azul.Ao contrário de ti-

Tu, aí de costas,
De olhos no céu
Os homens -aranhas apanharam-te

Enrolando e volteando os seus rídiculos grilhões,
Os seus subornos-
Tantas sedas.

Como te odeiam.
Conversam no vale dos teus dedos, são vermes minúsculos.
Haviam de querer que dormisses nas suas galerias,

Este dedo do pé, e mais outro, uma relíquia.
Avança!
Avança sete léguas, como aquelas distâncias

Que se movem em Crivelli, intocáveis.
Que este olho seja o de uma águia,
e a sombra deste lábio um abismo.


Sylvia Plath

7 Comments:

Blogger I said...

Este é o terceiro poema de Sylvia Plath que aqui coloco, o que demonstra a profunda admiração que sinto pela autora e sua obra. Sylvia morreu muito jovem, na casa dos trinta. Suicidou-se ,deixando duas filhas pequenas. A sua obra , ainda ue não muito extensa, é de uma profundidade extraordinária.Esta mulher pensava, nos intervalos das três tentativas de suícidio que fez.

13 outubro, 2005  
Blogger SAM said...

Assim, pelos olhos, o amor atinge o coração:
Pois os olhos são os espiões do coração.
E vão investigando O que agradaria a este possuir.
E quando entram em pleno acordo.
E, firmes, os três em um só se harmonizam,
Nesse instante nasce o amor perfeito,
nasce daquilo que os olhos tornaram bem-vindo ao coração.
O amor não pode nascer nem ter início senão
Por esse movimento originado do pendor natural.
Pela graça e o comando Dos três, e do prazer deles,
Nasce o amor, cuja clara esperança
Segue dando conforto aos seus amigos.
Pois, como sabem todos os amantes verdadeiros,
o amor é bondade perfeita,
Oriunda - ninguém duvida - do coração e dos olhos.
Os olhos o fazem florescer; o coração o amadurece:
Amor, fruto da semente pelos três plantada.
Guiraut de Borneilh

13 outubro, 2005  
Anonymous Maria do Céu Costa said...

Tenho vindo acompanhar as suas postagens dos poemas de Sylvia Plath. Boas selecções.

14 outubro, 2005  
Blogger I said...

Maria do Céu, se quiser poderemos conversar sobre Plath, teria imenso gosto. Os 3 poemas de Plath que postei , foram-no propositadamente para ilustrar tres aspectos da autora. Penso mesmo que Sylvia Plath seria bipolar , oscilando entre estados de depressão profunda e grande euforia mas nunca nada li sobre isso.Se houver , será algum ensaio americano e ainda não tive tempo para averiguar. Sabe de alguma coisa? leu o "papoulas"...não acha que há ali perversidade, naquela euforia? Quer falar sobre este assunto? Tem messenger?palavrasapetrechadasdeasas@hotmail.com, pode , se quiser , adicionar-me

14 outubro, 2005  
Anonymous Maria do Céu Costa said...

Não tenho messenger, mas por email poderemos sempre trocar impressões sobre o trabalho dessa autora. Obrigada pela sua manifestação de disponibilidade. beijinhos.

14 outubro, 2005  
Blogger SAM said...

Te recorro y me recorres
palpo tu sien de mil cabellos
siento tu pie desnudo y tierno
tomo en toda mi mano la firmeza de tu muslo
y me tocan de puntas tus senos blancos.
Nos besamos con la desnudez perenne del vocablo
con los labios deshaciendo las palabras
labio a labio nos besamos desnudando el silencio
carne a carne nos sentimos en la largueza del
cuerpo
piel a piel nos rejuntamos en la cadencia del lecho
hasta encontrarse los sexos en un beso universal y
húmedo
cuando el falo abre los labios blandos a medio
vientre
y los nervios más íntimos en el reverso de la
piel nos nacen

MANUEL FEDERICO PONCE


E gosto mesmo muito muito de Ti !

Beijo doce, Beijo Libertário...Beijo de saudade, beijo de Liberdade, beijo de verdade,
beijo de Amor,
beijo de ardor, beijo tímido, beijo de coração...beijo de verdade!

Sam ;-)

14 outubro, 2005  
Blogger I said...

Sam, isso é o verdadeiro beijo anárquico! rs*! O poema é muito bom..vou cuscar esse autor que desconheço.

14 outubro, 2005  

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