domingo, outubro 02, 2005

Noz de Fogo

Tu me deste a Palavra, a noz do fogo
Se o miolo te ficou tenho os dedos queimados.
Dá Deus nozes, Senhor... Sem dentes, desde logo,
Teu Banquete revolta os desdentados.


O Pão esperou na Voz fome e saliva
Ninguém comeu senão da própria suficiência:
Ao menos o Menino tem gengiva,
Saboreia a inocência.


Tende piedade dos Críticos,
Dai-lhes o Best-Seller
Engrossarão o seu coro.
Tudo o que for Sentido - desterrado
E oculto no choro!


Fazei guardar por anjos
A Significação
E em nossa carne eles tenham
Ceva e consolação.
À entrada do Verbo, imo da Morte,
Ponde uma folha a espada:
Guardaremos a Vida e o sangue ao Norte
Do Nada.


Vitorino Nemésio

4 Comments:

Blogger Noite said...

Palavra, eterna expressão
Momento único, inspiração

03 outubro, 2005  
Blogger Eli said...

Muito obrigada :) Se isto é para mim, não sei o que não será!!!
:)
Gosto de ler palavras que têm sentidos que nós lhe tiramos... assim... nesta calma de amanhecer e de viver saboreando a tarde!...

03 outubro, 2005  
Blogger romero said...

Sábias frases de un poema lleno de dolor,fuerza :) lindo
besos

03 outubro, 2005  
Blogger mfc said...

De Nemésio apenas conheço o Mau tempo no Canal e as suas charlas televisivas... não perdia uma!
Confesso-me um desconhecedor da sua obra, infelizmente.

03 outubro, 2005  

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