domingo, dezembro 03, 2006

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(...) Ah, é duro para mim reconciliar-me com isso tudo. Talvez por isso eu seja uma mulher — assim posso viver com mais segurança que os homens que conheci e invejei, ter filhos e instilar neles o desejo intenso de aprender e amar a vida que eu jamais chegarei a sentir plenamente, pois não há tempo, pois não há mais tempo, em vez disso há o medo súbito e desesperado, o relógio que bate e a neve que cai de repente demais após o Verão.
Certo, sou dramática e meio cínica, indolente e meio sentimental. Mas nos anos fáceis poderei amadurecer e descobrir o meu caminho. Agora estou a viver uma situação crítica.
Estamos todos na beira do precipício, isto exige muito vigor, muita energia, seguir pela borda, olhar para baixo, ver a escuridão profunda sem ser capaz de identificar através da névoa amarelada e fétida o que jaz sob o lodo, na lama que escorre cheia de vómito; e assim sigo em frente, imersa nos meus pensamentos, escrevendo muito, tentando achar o centro, um significado para mim.
Sylvia Plath

1 Comments:

Blogger Daniel Aladiah said...

E conseguimos andar muito tempo nessa borda, aprendendo a ser seguros, porque escolhemos lá continuar, apesar da tentação para virar a um dos lados...
Um beijo
Daniel

04 dezembro, 2006  

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