terça-feira, outubro 24, 2006

O último dia do verão

Pois às vezes me falta a quem contar
certo dia passado do princípio ao fim
o encanto que tenha realmente
a insistência do vento ao longo da Foz
aquilo que daria (e eu daria tudo) por compaixão

Nascemos e vivemos só algum tempo
não temos nada
não podemos mesmo na penumbra
decidir a atenção ou o esquecimento
as forças soçobram como vago motivos
em público
e em qualquer lugar

Por isso sei tão bem o valor
da natureza indiscutível dos teus olhos
onde a luz anota seus aspectos
teus olhos impacientes e irrealizáveis
que me acompanham
agora que sozinho danço
pela cidade vazia

José Tolentino de Mendonça

7 Comments:

Blogger I said...

Para o Andarilhus

25 outubro, 2006  
Blogger mfc said...

É bem verdade que só se dá o real valor depois de se perder quem se quer, mas a quem não se prestou a atenção de que era merecedora!

25 outubro, 2006  
Anonymous Andarilhus said...

... Obrigado, I!
Se escolheste bem a letra, foi porque analisaste o pensamento e todo o turbilhão de sentimentos que encerro (ou encerrei) na conjuntura. Ora somos um salão incandescente e iluminado, com calor efervescente; ora caímos na cave negra e de vazio de cor, com frio tíbio.
O Homem é intrinsecamente anti-solitário (há excepções, claro), porém, de quando em vez, por vontade ou por empurrão, procuramos a solidão… sobretudo para reparar as perdas e sequelas da partilha de vida. Mas, o companheirismo é imprescindível para o equilíbrio e fundamento dos sonhos. Como em tudo o resto, é preciso ter sorte e ensejo na descoberta da melhor companhia… E como a solidão pode ser a melhor companhia, uma nova (e boa) companhia pode ser uma terapia superior à solidão…
Bjito “(^o^)”

25 outubro, 2006  
Blogger I said...

O teu blog e os teus comentários teem-me dado que pensar.Os da Esteva também me teem dado que pensar.Um, em mim .Outro, no que esta fora de mim mas que também me pertence.Daí , as "Frésias" para a nossa(UPB) Esteva e para ti, Andarilhus(UPB), este "Verão".
Sabes aquela história dos "postigos que a vida nos abre(...)espreitar ou não? "e depois se espreitar e gostar, abrir a porta e ir ou ficar? (os blás blás e tudo o que se segue a seguir a postigos são palavras minhas, lol)...o UPB foi um postigo para mim, uma abertura para novas paisagens , sobretudo humanas.Paisagens apetrechadas de asas.

25 outubro, 2006  
Anonymous Andarilhus said...

... é bom sabermos (UPB) que contamos para o "despertar" das pessoas para outras latitudes, outras dimensões. Sempre caminhamos no sentido de preservar os indivíduos dentro do grupo. Não procuramos converter ninguém; apenas mostramos outros panoramas, outros horizontes... os postigos. Depois, é com cada um tomar a aragem que quiser e na dose que entender. Quanto a mim e ao galga courelas, penso "em voz alta" naquilo que me revolve as entranhas. Provavelmente, muitas desses reconhecimentos em campo interno são comuns aos de outros... Se, quando reflicto sobre mim, atiço o cepticismo de quem lê, óptimo... mas não é de propósito.
Este teu espaço também tem muitas ideias que dão que pensar…
“(º0º)”

25 outubro, 2006  
Blogger Daniel Aladiah said...

A solidão, a magreza dos dias da nossa vida, a falta que só se nota depois...
Um beijo
Daniel

25 outubro, 2006  
Blogger Esteva said...

As portas e os postigos rodeiam-nos. Nós é que nem sempre estamos preparados para os ver ou abrir. Quando voas para Norte, Garça?****

25 outubro, 2006  

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