terça-feira, julho 11, 2006

A sua língua e a minha


Se as mulheres soubessem quanto lhes ficamos agradecidos, como as amamos mais, como as apreciamos mais quando não nos obrigam à ginástica sueca para despi-las!
Na sinceridade de sua defesa não acreditamos, à naturalidade do seu pudor não prestamos fé, pelo menos nós — os homens inteligentes .
Não nos empenhamos em encontrar a donzela arisca e pudibunda. A donzela arisca e pudibunda pode agradar aos homens feitos em casa, educados pelos salesianos, que até aos vinte e cinco anos frequentam os oratórios, que usam punhos redondos e botinas inteiriças, elásticos do lado.
A estes homens agradam as raparigas de cérebro blindado com argamassa, que deixam formar-se teias de aranha naquelas partes que as outras, as de que nós gostamos, têm continuamente em exercício.
Nós gostamos da mulher que ao entregar-se mostra a mesma impaciência com que a procuramos.
Isto é, a mulher que, depois de dois mil anos de estupidez moral cristã, procede como se a moral nunca tivesse existido.
Isto é, a mulher que não liga nenhuma importância à função sobre a qual se construiu uma fé, u’a moral, uma literatura.
Que coisa se poderá imaginar mais maravilhosa do que esta? Reflitamos um instante! U’a mulher entra num quarto, despe-se, deita-se... lava-se, torna se a vestir, vai-se.
Esta mulher, com um gesto tão simples, desarmou u’a moral, zombou de uma fé, desprezou uma literatura!

Pitigrilli

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