sexta-feira, junho 17, 2005

Memórias

As crianças mortas nunca abandonam a casa,
Circulam dentro dela, enrolam-se nas saias maternas
À hora em que as mães preparam as refeições e prestam atenção ao ferver da água
Como se estudassem as leis do vapor e do tempo.
Sempre presentes.
A casa adquire uma profundidade diferente
Como se uma chuva silenciosa começasse a cair
Em pleno Verão nos campos desertos
As crianças mortas não partem. Mantêm-se na casa,
Têm uma preferência pelo corredor condenado para os seus jogos,
E em cada dia crescem no nosso coração, a tal ponto
Que a dor, no peito, não nasce da sua falta
Mas sim da sua presença excessiva. E se acontece que as mulheres
Soltem um grito durante o sono
É que elas sentem novamente as dores do que foi o seu parto.

Yannis Ritsos

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