quarta-feira, julho 20, 2005

Caranguejo

Os dias de espera rompem-me o coração.
estou obcecado pelas tonalidades matrimoniais sem poder fazer nada - os meses passam-se e eu fico na mesma sem que possa diluir os sentimentos para um pouco de aguarrás os amolecer.
A minha trincha já não mistura bem.
Sinto-me só, tão só que a alma vagueia de vez em quando pela repartições mais públicas procurando alegrias monótonas.
Queimo-me lento num cinzar sem estrépidos e quando a criada vem limpar os restos eu sou atirado para um caixote, normal, e de tamanho obrigatório, sem que a reacção camarária dos outros entusiasme o lixo citadino.
Tudo isto é um jogo temporário: há uns que emparceiram com outros e há outros que ficam eternamente desnaipados. O trunfo é o acaso - que muitas vezes vai parar às mãos do parceiro do lado.
Ontem quando saí de casa - já nem tenho coragem para escrever. Ontem quando saí de casa Ele passou perto de mim sem me reconhecer.
Na verdade só nos vimos uma vez frente a frente - Ele não me conhece.
Fugi para dentro de um portal a ver livremente a sua passagem. Ia todo Ele. Não tinha ficado nada em casa.
Há pessoas que nunca deixam nada em casa. Só me apetece eliminá-lo em ódio. - Transmitir-lhe qualquer coisa de baixo - inoculá-lo de impotência.




RUBEN A.
in
caranguejo







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