segunda-feira, maio 09, 2005

Ó rapaz que deitas gatos

Ó rapaz que deitas gatos,
Deitas gatos só em pratos,
Só em tachos e tijelas,
Ou deitas gatos também
Nas almas e no que há nelas
Que as quebra em mal e em bem?

Ah, se, por qualquer magia,
As tuas artes subissem
Àquela melhor mestria
De pôr gatos que se vissem
Nesta alma que se quebrou
No que sonho e no que sou!

Então... Qual então! Que tratos
Dei a um poema que surgiu!
Só consertas, só pões gatos
No inteiro que se partiu.
O que partido nasceu
Nem tu consertas nem eu.

Fernando Pessoa

15. IX .1933

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