terça-feira, maio 24, 2005

O Rei dos Alamos

Quem cavalga tão tarde, ao vento e pela treva?
O cavaleiro é um pai, p'lo filho acompanhado,
Pai que, nos braços seus, o seu filhinho leva,
Cingindo-o muito, afim de o ter agasalhado.

- Porque escondes, meu filho, essa carinha, tanto?
- Dos álamos o Rei, ó meu pai, não o vês?
Não o vês tu, meu pai, coroado e com manto?
- Engana-te, da bruma, algum floco talvez.

- Vem comigo, meu lindo! Ah, vem comigo! Vens?
Contigo jogarei jogos bem divertidos;
Muitas, garridas flores nas minhas ribas tens,
Minha mãe tem para ti muitos áureos vestidos.

- Aos teus ouvidos, pai, dize-me cá não chega
Tudo aquilo que o Rei me promete baixinho?
- Não te inquietes, meu filho, ó meu filho sossega:
Co'as folhas sêcas anda o vento em murmurinho.

- Vê lá, se a vir comigo, ó lindo, te abalanças!
Tenho filhas que bem te saberão tratar,
Minhas filhas, verás! Dançam nocturnas danças,
E assim te embalarão, a dançar e a cantar.

- O teu olhar, meu pai, ainda não devassa
Das princesas o grupo, além, na escuridão?
- Filho, filho, bem vejo o que em tôrno se passa,
Só os salgueiros vês, que entre as névoas estão.

- Gosto muito de ti, dessa linda figura,
Não resistas, senão a força empregarei.
- Meu pai, o Rei prendeu-me agora com mão dura!
Ai! Quanto me magoou dos álamos o Rei!

O pai, todo a tremer, apressura a montada,
Todo abraçado ao seu queixoso pequenino,
Depois de apuros tais, chega à sua morada,
Porém nos braços seus vai já morto o menino.

Johann Wolfgang von Goethe

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